20 de abr. de 2015

Passa a régua, comecei uma nova carreira

Demorei 17 anos para descobrir a minha verdadeira vocação. Tempo esse vivendo em outra profissão.

Já cheguei a pensar que foi perda de tempo. Mas hoje vejo que não. Como poderia ser diferente se a profissão que deveria seguir não tinha sido inventada ainda?

Conhecimento não ocupa espaço. Os lugares em que trabalhei e as coisa que fiz me renderam aprendizados que construíram a minha carreira de publicitária, até que de forma consistente.

Acho engraçado como as engrenagens da nossa vida encontram um jeito de funcionar. Muitas vezes de forma bem diferente do que gostaríamos. Mas uma hora elas encaixam, as fichas caem, o caminho fica mais claro.

Os indícios estavam lá, mas a gente não consegue conectar os pontos estando dentro do desenho. É preciso sair, surtar, ver as coisas de outra perspectiva.

Talvez a minha justificativa não seja original e possa soar bem piegas. Embora eu sempre tenha desejado que meu trabalho pudesse melhorar o mundo. Cheguei a pensar em entrar para o Greenpeace ou outra ong.

Só que no fundo eu achava que não era bem isso que eu deveria fazer.

A pergunta sempre soava: se não isso, o que?

Depois, percebi que para melhorar o mundo precisaria melhorar as pessoas. Achava que a arte tinha esse poder. Então, atuei no mercado cinema. Não era isso ainda.

Um gosto amargo de decepção continuava em minha boca.

E a pergunta de novo, se não isso, o que?

Desvendar as pessoas e a mim mesma sempre fora uma obsessão. Por isso, diversas vezes pensei em ser Psicóloga, mas é algo que vc não escolhe, tem que ser vocação. E eu não tinha.

Desisti de achar a resposta por uns tempos. Dei sequencia ao status quo. Mudando de empresa quando ficava muito insatisfeita. Trocando até de segmento.

E ao mesmo tempo pensava: "Por que os outros ouvem esse chamado e eu não? Por que eu nasci assim?"

Então, flertei com outro mercado que me atraia. O do bem estar. Agora achei! A empresa em que trabalho é do segmento de saúde/fitness, deixa as pessoas felizes, mais saudáveis e melhora a autoestima. É isso! Meu post de janeiro de 2014 fala isso claramente. Enfim, encontrei! Ufa!! Vou ser feliz para sempre.

Só que não é bem assim que as coisas são. Logo estava com o mesmo gosto amargo na boca.

Foi então que decidi fazer um novo curso (sempre que eu estou empacada, eu faço isso).

E lá, de novo, sendo absolutamente piegas, digo que minha vida mudou. As fichas caíram e finalmente tudo fez sentido. Eu nasci para ser Coach!

Repassando os acontecimentos, vejo pequenas pistas ao longo do processo, uma conversa aqui, outra ali. Tenho uma lista enorme de pessoas que nem sabem o quanto elas me ajudaram. Mas esse tema merece um texto especial.

E então tudo fico cor de rosa de repente. Não, não é bem assim. Ninguém vira uma chavinha e começa uma nova profissão. Tem que ralar tudo de novo, só que com um belo bônus, toda a bagagem adquirida.

Nesse exato momento estou na migração. Metade lá, metade cá. A metade que fica para fazer a retaguarda e garantir a segurança de um salário, se esforça para continuar vendo graça no dia a dia do escritório. A metade que quer queimar a ponte, está cheia de energia e ao mesmo tempo insegura, mas sabe que não pode parar agora. Não agora, que achamos o caminho!

Como tenho lido muito por ai, a melhor forma de combater o medo é o MOVIMENTO. E disso, eu sempre gostei muito.

20 de fev. de 2015

Yoga é coaching

Meus coachees sempre me perguntam, como posso continuar mudando, me transformando, depois que as sessões acabarem? E eu sempre penso: "fazendo yoga".


Em alguns casos, eu até falo, mas correndo o risco de parecer querer transformar todo mundo em praticante, muitas vezes freio as minhas palavras.

Mas pensa um pouquinho comigo.

O que é esse tal de coaching? De maneira simplista, é um processo na qual um profissional conhecido como coach irá ajudar o coachee (cliente, pessoa que está passando pelo processo) a atingir um objetivo em sua vida, auxiliando-o a usar melhor seus pontos fortes, aproveitar oportunidades e evitar ameaças.

Esse processo funciona porque 1 vez por semana durante uns 3 meses, o coach se encontra com o coachee e o estimula a pensar objetivamente sobre suas questões, a identificar como e quando agir e sempre deixa uma tarefa para a próxima semana. Um gancho para questionar o seu aprendizado.

Que outra atividade consegue reunir em 1 hora corpo, mente e que leve ao autoconhecimento?

Um praticante de corrida vai dizer: correndo eu relaxo, sinto meus problemas menores. Uma pessoa que dança, vai dizer a mesma coisa. Ou que ande de skate, escale montanhas, pinte quadros, faça música... Mas, essas atividades não levam a uma ação, a análise interna de forma tão focada.

Só a prática faz isso e de maneira contínua. Seu universo cabe no mat (o tapetinho de yoga). Tudo que acontece ali dentro, diz respeito a como você vê o mundo e se comporta nele.

Se você desiste das posturas mais desafiadoras, é medo ou sente que não está pronto? E dos desafios da vida? Não reage igual?

Se você se compara com os outros praticantes na sala, querendo fazer mais ou melhor, não seria o mesmo na sua rotina? Uma vez competitivo, sempre competitivo.

Se não consegue se concentrar em uma postura mantida, como é o nível da sua concentração durante o dia? É igual, não é?

E quando você consegue traçar esse paralelo entre a sua vida e aquela 1 hora de prática é que as fichas começam a cair. Não que seja mágica, porque a nossa transformação leva tempo, exige reforço e a coragem de olhar para si buscando mudar o que não te agrada mais.

Percebi que fico muito presa ao passado. E isso é um problema, que muitas vezes me impediu de evoluir. Para transformar esse sentimento que é tão seminal em mim, vai demorar. Não sei quanto. Mas a cada prática, quando fico muito chateada por não ter conseguido fazer uma postura, lembro que preciso deixar esse apego de lado e seguir. Não pensar mais na que não deu certo porque logo vem outra e preciso estar concentrada para realizá-lá.

Mas assim como o coaching, que não é para todos, a prática de Yoga também não é. Para passar por ambos, a pessoa precisa estar pronta para questionar as suas verdades mais enraizadas. E perceber que algumas delas não te servem mais.

11 de set. de 2014

Uma dama não comenta sua idade...

3.9! Uau! Parece que foi ontem que eu achava todo mundo tiozinho ou tiazinha.

Se bem que eu ainda acho isso, ahahha.

A idade está no cabeça, não? Continuo programando-a para ficar com 20 e poucos e um senso de estética adequado a minha idade cronológica.

Nem nos meus sonhos mais otimistas pensei em chegar aqui desse jeito. Depois de uma fase meio esquisita e sem rumo, minha vida inesperadamente começou a se ajeitar de uma forma que não consigo/nem quero questionar de tão coesa.

Maktub! Quase 4 décadas para descobrir minha missão nesse planetinha. Mas, enfim ela veio. Bom já estava lá, eu é que não estava conseguindo conectar as coisas. Paciência, tudo que vivi, virou bagagem. Daquelas boas de carregar. Que vão servir para algo.

Não que o caminho seja fácil. A diferença é que agora ele faz sentido. E foi tão especial pq as descobertas ocorreram perto do meu aniversário.

Com o encerramento do curso de coaching descobri que é essa carreira que devo seguir. De coração. E tudo aquilo que me incomodava, se desfez, como um passe de mágica.

E eu adoro o dia do meu aniversário. Teve até bolo surpresa no escritório, almoço com o maridão e várias msgs de carinho o dia todo. No final, um bolinho com meus pais. Se for contar, comi 4 bolos diferentes hj. Uma verdadeira suruba gastronômica.

Essa semana tem sido incrível que vale a pena registrar a super lua que tem iluminado a noite como um sol. Só falta a água voltar a cair. A gente está precisando bastante por aqui.

De tão feliz, meu texto fica meloso demais, é eu sei. Ok, escrever com raiva sempre me torna mais debochada e engraçada, mas o jeito desbocado vai ficar para depois.

Hoje, sou só gratidão e felicidade.

5 de jun. de 2014

A prática na prática

Praticar Yoga me trouxe uma inquietude. Estranho, não?  Bom, na verdade não.

Há uma boa diferença entre estar anestesiado e estar sereno. O anestesiado desistiu, qualquer coisa serve. Já o aquietamento é consequência de uma série de transformações, é quando se entende o que realmente importa, quando você consegue reduzir sua vida ao básico (de sentimentos), ao essencial.

E não é uma receita de médico, tipo: pratique yoga 3 vezes por semana e fique calminho. Isso não existe. Isso é um esteriótipo bobo de tentar transformar algo em um produto, no melhor estilo compre X e ganhe o benefício.

Serenidade também não tem a ver com apatia. Está mais para uma segurança interna, uma voz que te diz para continuar, para batalhar, uma certeza interior (ou divina) que te deixa em paz com suas decisões.

Voltando ao básico dos sentimentos, é lógico que gosto dos pequenos prazeres, da sensação de jantar em lugares bacanas, de presentes bonitos, de ter conforto, uma carreira elogiada e de ter meu ego massageado. Mas tenho me perguntado se o segredo para a felicidade não é descomplicar todas as sensações que envolvem essas vivências. E até conviver com o sofrimento. Ele existe, não dá para evitá-lo. Ou até dá, tomando um tarja preta qualquer, de novo, compre o produto e ganhe o benefício. Não é isso que quero para mim.

Voei de balão na Páscoa e minha cabeça estava tão cheia de preocupações (com relação ao trabalho e outras bobeiras) que não aproveitei tanto o passeio. De que adianta uma experiência dessa, se eu não consegui reduzir meu pensamento ao básico das sensações: vista bonita, ar puro, emoção de voar?

A prática me fez ver que preciso destruir meus conceitos para depois construir, uma coisa Shiva de ser. E isso pode ser bem doloroso a maior parte das vezes.

"Mas vc ainda está em transformação, quase chegando aos 40?"

É, estou sim. E acho que quem tem certeza de tudo, que sabe tudo, que já aprendeu tudo, está a um passo de virar um zumbi. Não quero ser assim. Quero não saber um monte de coisas, aprender outras tantas.

Percebi que a minha visão de mundo estava errada. Até a imagem que eu faço de mim precisa mudar. O que devo buscar? Para onde ir?

Assisti esse relato fantástico e me identifiquei bastante. Quem diria, um menino de 13 anos com tanta lucidez!

Eu sempre soube o que queria ser quando crescesse, queria ser feliz, igual ao garoto.
E como fazer isso? Essa é outra história. Tive algumas vagas noções, persegui essas premissas e o resultado não foi o esperado.

Que coisa tão difícil essa de definir a felicidade! Se a resposta está dentro de mim, pq não a encontro?

Porque está soterrada de camadas e camadas de cobranças, de conceitos idealizados, expectativas, modelos..... todo um manual de como ser uma mulher perfeita, realizada, cheia de sucesso, jovem para sempre, que tem uma performance de atleta 24 horas por dia. Praticamente uma semideusa. Ideais que eu mesma me propus. Sem contar todos os medos, de fracassar, de errar, de se arrepender, de ser mal interpretada, de não ser querida, ou respeitada...

Ok a vida não é perfeita, cheia de fatalidades, maldade, doença, gente querendo puxar o teu tapete. Você não precisa fazer isso consigo mesma, né?

Para resumir, vejo que preciso corrigir as respostas para as 2 principais perguntas: quando e como.

Não é quando eu conseguir algo vou ser feliz. É ser feliz agora neste momento em que escrevo, por exemplo. É atingir um estado de serenidade em que nada te incomoda, sem euforia, sem tristeza. Essas duas, são sensações passageiras. Extremos da mesma moeda. Devo buscar a continuidade, a permanência, um estado de santosha, de contentamento. Acho que começo a entender "dos esquemas" ahahah.

E a segunda pergunta, como? Uma reprogramação da mente daria conta do recado. Apagar todos pre sets e começar a incluir novos. Como? No meu caso:  paciência (que preciso desenvolver) e Yoga.

Se vai funcionar para você, meu caro leitor? Não posso te dizer. Se a experiência será a mesma? Com certeza não. Quando tinha 20 anos jamais faria Yoga, só se fosse power. "É muito parada, não tem nada a ver comigo". Talvez não tivesse mesmo. Não naquele momento.

Até a noção de acertar x errar está se desconstruindo para mim. Se me perguntarem sobre as minhas certezas, digo que nem sei. Nesse momento, tudo é relativo, é transformação e tudo ainda é muito desconfortável.

Aliás, eu só tenho uma certeza, o amor é o mais poderoso dos sentimentos. É nele que me apoio nessa caminhada. (Fico por aqui, esse é tema para outro post.)

3 de abr. de 2014

O Teatro

O teatro das relações sociais me aborrece.

A dança das palavras carregadas de segundas intenções, os salamaleques dos gestos, o vai e vem das promessas vazias, todos esses truques, tiques e traquitanas sociais me despertam nada além de tédio.

Ah! Quanto tempo perdido pensando em mentiras, inventando histórias, realidades paralelas, perpendiculares, difusas.

O drama disfarçado de comédia. A inveja travestida de elogio. O sorriso que antecede o golpe. Quanta energia desperdiçada.

Sinto um desgosto profundo pelas caras monótonas daqueles que se enquadram nos papéis, se resignam aos seus clichês, repetem os mesmos conceitos feito uma reza decorada sem sentido.

Prefiro a fúria da verdade, da transparência, da objetividade. Sem meias palavras, meia intenção, meia vida, seguindo um roteiro que já foi escrito, reeditado e mastigado.

Mais vale um franzir de olhos sinceros a um sorriso morno de complacência ensaiada.

O teatro das relações sociais não merece meu aplauso, audiência ou minha paciência.




7 de mar. de 2014

Era uma casa muito engraçada

Nesse apartamento muito estranho,
Só tem as 4 bocas do fogão.
Não tem forno, nem microondas.
E fritura não!

Na geladeira não podem faltar:
Frutas, manteiga e queijo ralado.
Ah sim, cubos de gelo
Para drinks inesperados.

TV por assinatura e TV no quarto,
Nem pensar!
Uma máquina de lavar roupas
É um item a se considerar.

Peças feitas a mão
Convivem com móveis pre fabricados.
E no natal um dragão
Encara um papai noel todo iluminado.

Duas sacadas com plantas não planejadas
E uma árvore cheia de pássaros como vizinha.
Muita música para preencher os cantos
E organização para essa moradia pequenina.

Porém nem tudo vai bem.
Falta uma porta em um armário adaptado.
Fazendo frio ou calor
Um novo chuveiro dá conta do recado.

Muito estranho viver assim!
Como seus donos o fazem?
A receita é clara para mim
Respeito, amor e sonhos que ambos trazem.


28 de fev. de 2014

O templo de cada um

Quando vc entende que seu corpo é um templo, acaba preservando-o como o tal. Não que só o seu seja assim, afinal todos deveriam ser sagrados, mas ele se torna o seu templo, a sua morada real, mesmo que passageira nessa vida.

E pensando assim, vc se posiciona para evitar o que te faz mal. Vc tenta se preservar e respeitar mais. Se for agressão por parte dos outros é mais difícil de conter. Mas vc passa a enxergar e tentar evitar os pequenos atos depredatórios praticados contra nós mesmos: excesso de trabalho, de cobranças, de pensamentos e pessoas negativas, a falta de cuidado com a alimentação...

Preocupar-se com o corpo acaba refletindo em sua alma, já que ele é uma expressão do seu interior. Mas esse pensamento deve ser norteado pelo limite de cada um, pela aceitação do diferente. Cada templo é único, tem seus arcos, suas torres, janelas e até pequenas rachaduras e imperfeições.

Reformá-lo para entrar em um padrão é perda de tempo, é mascarar o exterior sem arrumar o conteúdo interno. Pq padronizar o que já nasceu único?  Também adianta pouco trabalhar somente a parte interna, enquanto o externo cai aos pedaços, exposto aos intemperes.

A transformação deve ser em conjunto: interno e externo. Um puxa o outro, seja para o bem e para o mal.
Como fazer isso? Cada qual deve encontrar a forma. Não é receita de bolo.

Mesmo que os templos sejam abertos à visitação pública, algumas áreas permanecem restritas, com acesso garantido somente àqueles que merecem. E veja que as permissões não são eternas. Alguns perdem o privilégio com o tempo.

E quando finalmente vc entender que dentro desse templo habita um Deus, o seu Deus e não um modelo preconcebido que te disseram para acreditar, ai sim, o processo estará completo.

Eu? Estou em construção, com certeza. Recolocando, realocando e repensando os tijolos, as paredes e porque não, as janelas.








5 de fev. de 2014

Menos Terminator e mais Mad Max

Nosso planetinha azul já foi devastado de todas as formas naturais, nucleares, atacado por aliens, dominado por robôs e até por super vírus que tornam as pessoas zumbis. Sim, as previsões futuristas não são muito animadoras, pelo menos através das telonas de cinema.

Mesmo que até agora nenhuma delas tenha se concretizado, é possível enxergar traços de caos aqui e ali.
Excluindo os ataques mais bizarros que envolvem eventos extraterrestres, as causas naturais e as tramas de cientistas malucos, vamos ao que me parece mais próximo.

Vivendo um dos verões mais quentes de que se tem registro, com ameça de falta de água e luz, não é difícil pensar logo em um cenário desértico de desolação. Ajudada pelo atual descontrole e surtos de violência da população, começo a achar que o nosso futuro apocalíptico, pelo menos o do Brasil, está mais para Mad Max do que Terminator (Exterminador do Futuro).

Se aqui na Terra Brasilis qualquer sinal de tecnologia avançada é frustrada pela cobertura de internet tosca e pelos equipamentos tacanhos, sinto dificuldades em imaginar que a Skynet conseguiria organizar um ataque coordenado de máquinas, quando elas mesmas já nos sabotam por não funcionar. Vc consegue visualizar catracas de estacionamento e caixas eletrônicos se rebelando? Ficaria feliz se elas funcionassem, pelo menos.

Mas deixando para lá a visão poética de que os robôs teriam qualquer interesse em nos dominar (talvez isso possa ocorrer em um país menos primitivo como Japão), a violência é o que mais me assusta. Hj, caminhando em meu bairro, entre donos de cachorros levando seus bichinhos para fazer coco nas calçadas (isso é que é evolução, hein?) me deparei com uma cena no mínimo Tarantiniana: um grupo de meninos entre 12 e 15 anos cercava um carro forte e o hostilizava. Enquanto isso, frentistas do posto acompanham a tudo receosos.

O mais novo, faz o tradicional gesto do dedo do meio para o motorista enquanto os outros cercam o carro com aquele ar de superioridade e afrontamento de quem não tem o menor medo de sofrer qualquer consequência que seja. É como se eles fizessem suas próprias leis e só temessem o traficante líder de sua quadrilha. E nem armados eles estavam. Tamanha a ousadia, é como se nem precisassem de nada, só sua presença já era uma ameaça.

Correndo o risco de despertar toda a ira dos politicamente corretos, dos pseudo protetores dos direitos humanos, eu afirmo: aqueles meninos me pareciam bandidos. Pelo porte, pela atitude. É sim, estou julgando-os pelo que vi. Não fui lá entrevistá-los e tão pouco fiquei esperando que eles ateassem fogo no posto, no carro forte e explodissem o quarteirão. Eu tratei de ir embora. Olhando atônita para o total colapso da convivência civilizada.

Essa reflexão não é para indicar culpados, criticar o governo, a falta de educação, a condição de pobreza, o preconceito e o velho bla, bla de sempre.

Vejo que estamos construindo um futuro nada glorioso, que estamos involuindo, chegando ao básico do que compõe cada ser, o espírito de sobrevivência. Onde cada um segue suas próprias regras, não há polícia ou bandido. Formam-se grupos amorfos de pessoas que tomam decisões baseadas em instinto, em suas próprias prioridades e gosto. Uma simples discussão de transito e o fulano toma um tiro. Cruzar com uma gangue diferente da sua e já é um convite para matar alguém na porrada. Seu time perdeu? Lá se vão os torcedores destruírem tudo. Sério que isso tudo é normal?

Sem valores, sem regras, sem bem e bem mal. O completo colapso do que chamamos viver em sociedade. Só a baderna. Se não era apenas pelos 0,20 centavos agora não é por nada. É pelo simples ato. É para protestar pelo que mesmo?

Vc pode até optar por tentar viver sua vida prosaica, fingindo que nada disso te afeta, se anestesiando na trinca mágica: novela, futebol e carnaval. Mas me arrisco a dizer que caminhamos para o universo do policial Max, sem qualquer sinal de justiça ou happy ending.

7 de jan. de 2014

Da besta fera a segundona melancólica

[Eu acho q escrevo melhor qdo estou triste ou brava. Esse texto é de julho/13, qdo estava sem emprego fixo. E algumas das perguntas já não são dúvidas, outras continuam]

Para mim, pior do que a besta fera* (a sexta feira em que as coisas estão fadadas a darem errado) são as segundas melancólicas, alimentadas pelos dias cinza e chuvosos de inverno.

Diferente da sexta, que guarda em si toda a expectiva de um fim de semana de diversão e pseudo hedonismo, a segunda é uma sentença: hora de sair do País das Maravilhas e encarar a realidade.

Impossível fugir dos meus balanços, da constante vigília que me imponho de analisar se estou certa ou errada o tempo todo.

Penso nos pequenos desejos materiais não adquiridos e nos grandes abstratos não concluídos. Na escolha que fiz em direção a melhor qualidade de vida, no sentido de exercitar o desapego, de sofrer menos o estresse, mas em contra partida ter menos dinheiro e uma situação meio instável.

E o conflito é grande, quando todos ao seu redor, só pregam que vc tem obrigação de ser bem sucedida, de ser linda, perfeita, ter tal padrão de vida, viajar bastante, comendo e bebendo loucamente. Vc tem q ir em todas as festas, ter 1 milhão de amigos, estar super informada sobre tudo o que acontece, ser politicamente correta... Nossa, quantas obrigações! Quantas receitas para a felicidade pasteurizada e homogênea.

E se eu quiser ficar em casa lendo um livro? Looser!
E seu for ao parque perto da minha casa ver o por do sol? Loooser!
E se eu ficar em casa e fizer uma comidinha simples e gostosa, tipo arroz, lentilhas e batata? Loooooser!!!

Olho para tudo isso e penso o que mesmo me faria feliz? Como me despir das cobranças alheias e fazer o que eu acredito? E como continuar acreditando em algo que parece ser tão contrário a tudo?

É sempre difícil estar na contramão. Admiro as pessoas que o conseguem, que seguem firmes em suas causas quase que solitárias, de não comer carne ou defender o parto humanizado.

Talvez seja muita ingenuidade minha achar que evoluí tanto que não preciso de dinheiro. Talvez seja auto sabotagem eu querer abafar o meu desejo de ter uma carreira de capa de revista. Eu bem sei que minha vida profissional ocupa um dos 3 pilares da minha vida. Será mesmo que se eu ficasse em casa fazendo artesanato me sentiria realizada?

E essa moda agora que diz a gente vai ser feliz no trabalho se escolher algo que amamos. Então eu tenho mais um belíssimo problema, pois tudo que eu amo não pode ser considerado uma profissão ou muito menos um emprego que me renda uma vida decente.

O ideal de transformar trabalho em lazer me parece tão inatingível como alcancar a imortalidade.

Mas logo vc encontra algumas pessoas que dizem exatamente o contrario: "amo meu trabalho, quando chega a segunda feira fico com um sorriso de orelha a orelha".

E logo penso: que m@##$%! Estou no caminho errado novamente. Se esse cara consegue pq eu não?

Pq eu simplesmente não sei, por medo, autocrítica? 

Mas eu sigo mesmo assim, esperando as sextas - mesmo feras - e desejando que um dia consiga resolver a equação que transforma os dias-feiras em um domingo eterno. Será?

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*termo cunhado pela minha amiga Pop.



Depois de 11 meses esquisitos...

Eu sou uma pessoa que gosta das coisas que duram. Sejam elas: objetos (como o All Star que eu tenho desde os meus 13 anos ou minha vitrola e LPs da adolescência); relacionamentos (profissionais ou pessoais) e situações (frequentar o mesmo cabelereiro).

Outro dia percebi que tenho o mesmo número de celular de quando comprei o meu primeiro aparelho e mantenho a primeira conta de email e do banco.

Acho que não lido muito bem com mudanças, não?

Eis que em setembro de 2012 deixava meu emprego depois de 6 anos. Tive uma crise, resolvei sair sem nada planejado, mudar tudo radicalmente sem um plano b. Algo que até então, nunca tinha feito.

E foi ai que passei os 11 meses mais esquisitos da minha vida.

132 dias de expectativa, de suspense. Um período em que eu poderia ser qualquer coisa ou nada. Me mudar para o Canadá, começar uma nova faculdade, viver de freelas, criar um site, trabalhar em uma escola de Yoga, ser supervisora de mkt de uma rede de drogarias... perdi as contas de quantos currículos enviei, quantas vidas eu projetei, recalculei...

Nesse processo, algumas camadas de mim foram se soltando e ficando pelo caminho. Ter todo o tempo do mundo e não ter paz de espírito não adianta muito. Não ser escravo do relógio, sem um $ no bolso tb não foi nada bom.

Em pouco tempo, apesar de toda a liberdade, eu precisei estabelecer uma rotina (ah, virginiana....) depois de 9 meses acabei encontrando um trabalho temporário, que com certeza fez com que eu completasse a minha jornada de aprendizado nesse período. Nem tanto pela complexidade do trabalho, mas pela transformação de alguns dos meus conceitos internos.

Bom, acho q a transformação não dependeu só desse projeto temporário, mas de toda uma somatória de fatores, minhas vivências anteriores, a prática de Yoga, influência de amigos, família...

Tudo isso para que eu chegasse onde estou agora. Quem nem é o fim ou começo. É apenas mais um ponto de passagem na minha história.

E foi então, que perto de completar 1 ano sem emprego formal, consegui uma nova oportunidade, na minha área e em um dos segmentos no qual sempre quis entrar.

Voltei a ter um plano mais concreto de onde quero estar e aprendi nisso tudo que nosso orgulho pode nos levar a lugares equivocados, provocar sofrimentos desnecessários e muitas vezes tampar a visão mais concreta dos fatos. Na dúvida, sempre pergunte ao seu coração.

Hj eu ouço mais a minha intuição e quando não ouço, me arrependo.

Quanto a mudança, ainda não gosto muito dela. Mas vejo que aqueles que conseguem mudar de ideia sem abrir mão de seus valores são os mais sábios. Tb aprendi que mais importante do que provar que vc tem razão é ser feliz e não arrumar confusões desnecessárias.


25 de set. de 2013

Toda vez eu morro um pouco. É um vício.

Quando a gente entra na faculdade, ninguém nos adverte ou fala: fuja enquanto é tempoooo,  nenhum professor abre o jogo e quando vc experimenta o primeiro... já é tarde demais, vc não consegue escapar.

Se for esperto e não deixar ninguém saber, talvez em pouco tempo consiga se livrar, caso contrário, vão te procurar sempre, te oferecer, te provocar.

Eu não sabia de nada disso, era muito jovem. Experimentei o primeiro, foi bom, parti para o segundo, saí comentando por ai... Esse foi o meu erro. Hj, eu estou viciada, não consigo parar.

Eu preciso desabafar, sou viciada em organizar eventos! Tem que ser um pouco louco para optar por essa vida, eu sei. Ou deve ser um vírus que se aloja no seu corpo e vc nunca mais fica curado.

E basta colocar no seu currículo, mesmo que seja uma longínqua experiência e vc estará condenado para sempre.

Confesso que no início é muito tentador. Vc se sente todo onipotente, planejando, controlando e orquestrando a coisa toda. Mas por mais que vc tenha um plano B, C, D... sempre tem uma surpresinha reservada para a hora H.

É o imponderável, o incontrolável sem uma segunda chance, sem poder tentar de novo. É agora ou nunca.

Tenho várias histórias que me fazem rir agora, mas no passado, roubaram algumas horas da minha vida. Sim, pq minutos antes de começar tudo, eu sinto que vou morrendo aos poucos. Meu estômago dói, não consigo comer, o coração acelera aos pulos, eu fico pilhada.

Semanas antes eu nem durmo, fico tentando prever as catástrofes, traço planos mirabolantes e bam! São Pedro castiga a cidade e o palestrante não chega para fazer a entrevista ao vivo. Tóin! O fotógrafo vai para o lugar errado. Pan paran pan paaaan! A mesa de som queima.

E se os convidados não aparecerem? Se a comida for pouca, se a internet falhar.... São tantos if (se) que vc tem que ter fé em algo maior, na santinha milagreira dos produtores aflitos de eventos.

Sim eu já rezei bastante, antes, durante e depois dos eventos. Pedi para não chover, agradeci por não ter acontecido nenhum erro monstro. Daqueles que o frio percorre a sua espinha e vc não vai conseguir resolver. Já fiquei muda por alguns minutos tentando organizar os pensamentos, vendo para quem ou que lado correr. Precisei tourear o cliente que tinha ataques, o chefe tendo pitty, o segurança que não coopera.

Nessas horas, vc percebe que é humanamente impossível fazer tudo isso sozinho. Que se sua equipe, os fornecedores e parceiros não estiverem em sintonia, tudo fica muito pior. Por isso que eu adoro o clima da house, fazer parte daquilo, do entrosamento, do pique e daquele ar meio q "ah tudo vai dar certo". Sim, pq tem que ser otimista daqueles bem Polyana. 

Na hora que a cortina abre, na hora do play,  vc tem que abandonar todo o pessimismo do pre evento e virar a chavinha para o otimismo total. Sorriso na cara, mesmo que esteja tudo errado. "Sorria e acene, sorria e acene" é o meu lema nessas horas.

E dá-lhe sangue frio, presença de espírito, jogo de cintura, dança do siri, mão na massa, se vira nos 30, se vira q vc não é quadrado, haaaaaja coração, The Show Must Go On... Vc promete para si mesma que nunca mais vai passar por isso. Nunca!

Mas é então que a mágica acontece. Tudo funciona, o público adora, o cliente fica feliz, a equipe se parabeniza e eu nessas horas, não consigo conter as lágrimas de alegria ao ver que a coisa toda deu certo, apesar dos desafios, o esforço valeu. É nesse momento, nesses singelos minutos que tudo isso vale a pena.

É como um vício, em que vc acaba uma dose e já pensa na outra, eu me vejo planejando o próximo, inevitavelmente!

8 de jul. de 2013

Os cidadãos de bem perderam novamente

A notícia já ecoa em diversas mídias: "A Virada Cultural foi a mais violenta."

Fico tremendamente triste, pq essa é mais uma prova de que vivemos na cidade mais vibrante do país, que oferece uma vasta gama de entretenimento, mas ao mesmo tempo não podemos aproveitá-la.

Se faltou polícia ou não, não saberia dizer, pq eu mesma não quis frequentar nenhuma atividade externa, embora tenha circulado na madrugada de metro, evitei a muvuca deliberadamente, principalmente por achar insuportável sair da minha casa e encontrar um lugar imundo, com pilhas e pilhas de lixo no chão e ainda ter que desviar de bêbados caídos no chão.

Mas é claro que se me dissessem para andar no centro e passar pela cracolândia de madrugada, eu não iria não.

O pai do menino baleado pergunta pq não havia policiais revistando as pessoas. Bem se vê que ele nunca foi a um evento de rua. Isso tb seria impossível. Mas o que iria coibir as atividades violentas?

A mesma coisa que coibiria os marginais de atearem fogo na dentista ou aquele outro que deu um tiro no garoto que entregou sem reagir sua carteira: a certeza de uma punição.


Sinto dizer que estamos totalmente abandonados. Nós, os cidadãos civilizados estamos entregues à própria sorte.

Ninguém tem medo da polícia, a não ser as pessoas de bem, pois fica difícil entender de que lado alguns deles estão.

Nessa virada, perdemos de novo para a violência que não perdoou nem o Suplicy, que teve sua carteira roubada e foi ao microfone fazer um ridículo apelo para lhe devolverem os documentos.

Patético, triste!

15 de mai. de 2013

Preciso encontrar uma velha amiga

A vida vai te levando, os afazeres vão preenchendo nossos dias e quando se dá conta, 10, 20 anos se passaram. Quantas coisas aconteceram! E a gente vai seguindo, muitas vezes sem nem olhar para trás, continuamos correndo, querendo, batalhando...

Eu, que adoro viver com a cabeça mergulhada em minhas lembranças, me surpreendi ao sentir falta de uma velha amiga. Como pude esquecê-la por tanto tempo?

Na verdade ela não é velha, é bem novinha, uns 20 e poucos anos, mas eu a conheço desde sempre.

Sinto saudades da sua empolgação, dos seus sonhos, do jeito como ela levava a sua vida. Nem tudo eram rosas, ela tinha um temperamento mais forte do que o meu, mais crítica, mais impaciente, mas era mais esperançosa, tinha um futuro pela frente e o mais importante, cantava e dançava sempre que podia. Fazia disso suas principais ocupações na vida e o resto, ela encaixava durante o dia.

Como era bons aqueles tempos! Chegava a dormir mais de 12 horas no fim de semana de pura exaustão, de tanto emendar uma atividade na outra.

Uma coisa era verdade, tinha pouco dinheiro no bolso, mas dava um jeito de se divertir. Ainda não sei como ela fazia isso. Talvez pq não exigia muita coisa, o sorriso lhe era mais fácil e os amigos estavam sempre por perto.

Quando foi que eu a deixei ir embora? Onde ela foi parar?

Muito provavelmente ela foi silenciada aos pouquinhos, fui deixando-a para depois. As decepções, os caminhos diferentes, a imprevisibilidade da vida foi afastando-a de mim.

Mas eu tive um insight naquele mesmo momento em que revirava minhas memórias e agora sei que preciso resgatá-la, encontrá-la e trazê-la para a minha vida. Se não, que futuro eu vou ter? Minhas esperanças, meu otimismo... como eu vou ficar sem ela? Como eu pude fazer isso com ela?

Ah, mas eu sei bem onde ela está. Basta remexer um pouco aqui no lado esquerdo do meu peito, ela está aqui dentro. Ela, na verdade sou eu, quando estava na faculdade! Eu que não sabia se seria veterinária ou viveria de arte. Que queria salvar os bichos, mas também queria morar sozinha e ter uma apartamento para chamar de meu.

Hoje eu não canto mais, nem danço e nem entrei para o GreenPeace. De todas essas coisas, consegui concretizar alguns desejos materiais, algumas viagens inesquecíveis, conheci pessoas incríveis. Dominei parte do meu temperamento, mas matei um punhado de sonhos...

Hora do regaste! Ah, minha amiga, prometo não deixar vc ir embora de novo. Mesmo que eu faça 40, 50...70, sempre vou perguntar o que te faz feliz e corrermos atrás disso!

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Beijos e Bytes

8 de abr. de 2013

Together Forever

Ontem foi dia de festa. E por falta de um motivo, na verdade eram 3! A casa estava cheia de risos, de conversas e principalmente de luz! O sol tinha caprichado e entrava por todas as janelas.

Minha querida amiga de infância, carinhosamente chamada de Cilu, era a grande homenageada. Recém-casada e mamãe a espera de gêmeos! Eis ai os 3 bons motivos de comemoração. Todos queriam falar com ela, todos queriam acariciar a sua barrigona quase no fim da gravidez. Pensando bem, acho não era só o sol que brilhava naquele dia. Vc estava radiante, acredite!

Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz com as notícias, o quanto comemorei os acontecimentos. O casamento de vcs foi só para coroar uma história que já vinha de longe, uma vida em comum que já estava sendo escrita há tempos e agora vai render frutos.

A gente já passou por tantas coisas, né? Tantas histórias desde aquele dia em que nos conhecemos no recreio do colégio enquanto estávamos entre a 5a. e 6a. série.

Tantas tarde brincando, tantas risadas, conselhos trocados, coisas que a gente não fez e deveria ter feito (ainda lembro da festinha na casa da Paty), coisas que tivemos coragem de fazer, festas, viagens, lágrimas e muitas memórias felizes.

A história da nossa amizade está passando pela minha cabeça agora. E eu sei que não sou muito boa em falar essas coisas ao vivo, mas saiba que eu estou tremendamente feliz por vcs e sempre torcendo para que te ocorra o melhor.

Quem diria que chegaríamos juntas até aqui, aquelas duas meninas que passavam o recreio cantando a música de Faroeste Caboclo.

Grande Beijo e muitas felicidades, Cilu!!! Vc é minha irmã, não de sangue, mas aquele tipo que se escolhe na vida!




28 de mar. de 2013

Somewhere between

Eu adiei escrever esse post algumas vezes. Achei que deveria escrevê-lo sob um outra perspectiva, quando já estivesse fora da situação, mas acho que vai ser um exercício divertido ler isso aqui no futuro.

Já se passaram alguns meses depois que saí do meu emprego e ainda não encontrei outro. Assumi algumas atividades como freelancer, mas quero algo mais concreto.

Recusei algumas ofertas que não me pareceram adequadas, sejam por salário ou mesmo pela atividade. Nada contra, apenas estou tentando ser fiel aos motivos que me fizeram sair do meu antigo emprego.

E apesar de não ser a primeira vez que procuro uma nova oportunidade, esta sem dúvida, tem sido a mais desafiadora.

Percebi que preciso travar uma batalha diária comigo mesma, para que meus fantasmas não me consumam. Eu me cobro muito, sempre me questiono se agi certo ou errado, se deveria fazer diferente, se... se...

Passar pelas entrevistas é desconfortável. Me sinto frágil, invadida. Tenho que responder perguntas que não entendo o que tem a ver com a minha vida profissional. Preciso superar o descaso com que sou descartada na seleção e viver com a expectativa do novo processo.

Além disso, uma pergunta me consome: o que eu quero fazer profissionalmente daqui para frente? Está na hora de ser meu próprio chefe?

E eu não tenho essa resposta, tanto quanto não a tinha quando tive que escolher qual faculdade prestar.

É uma fase esquisita da minha vida. Parece que estou em uma grande sala branca, sem portas, janelas, apenas o vazio. Apenas a promessa de que tudo de bom pode acontecer.

8 de mar. de 2013

Apesar de vc, parabéns para as mulheres!


A comemoração do dia 08/03 já despertou diversos sentimentos em mim. Já fiquei feliz por receber rosas e palavras doces,  já fiquei revoltada com as piadinhas e os cumprimentos em tons de deboche ou fiquei ofendida com o fato de precisarmos de um data para sermos respeitadas.

Pensando bem em tudo que mudou na minha vida em relação às gerações passadas eu diria que as mulheres estão de parabéns! Definitivamente!

Apesar de vc (parafraseando a canção de Chico Buarque) machista que insiste em agredir o chamado sexo frágil.
Apesar das pessoas (de ambos os sexos) que acham que as mulheres devem ganhar um salário mais baixo do que os homens, que tem temos obrigação a dupla jornada de trabalho (em casa ou fora dela), que acha que a educação dos filhos é exclusividade feminina.

Apesar de vc que faz filho e vai embora sem deixar um tostão para ajudar, vc que acha que só pq a mulher está na balada pode fazer o que te der vontade com ela... Os exemplos são muitos, infelizmente.

A capa de uma revista importante brasileira destaca que 7 entre 10 mulheres no mundo sofrerão algum tipo de violência física ao longo da vida e classifica como uma nova epidemia em nossa sociedade. Na Índia uma mulher é violentada a cada 20 minutos. As estatísticas são tristes e alarmantes.

(Obviamente que nem todos os homens são desrespeitosos, alguns estão ao nosso lado, estão acompanhando as mudanças e nos fazem crer que é possível querer igualdade.)

Então, apesar de tudo, resolvemos lutar. Resolvemos sair de casa e enfrentar esse mundo covarde. Decidimos que quem manda em nosso corpo somos nós. E não a moda ou a obsessão por um modelo considerado perfeito. Decidimos que vamos pagar nossas contas sem ajuda de ninguém e assim sermos independentes financeiramente.

Enfim, mulheres de verdade, vcs estão de parabéns!

A data é para celebrar a coragem e a luta por dignidade. Avancemos, então! É o que temos feito e continuaremos a fazer, apesar de vc.

22 de jan. de 2013

Saudades, muitas saudades


Tem dias que eu nem penso em vc, mas tem dias que não aguento. Fico com os olhos cheios d´água pensando em onde vc estaria, por onde andaria, se ainda está inteiro.

Já se passaram 6 meses e eu ainda sinto um aperto no peito quando vejo a sua vaga vazia no estacionamento, as manchas de óleo que marcaram o chão. E eu lembro que eu nunca mais vou ver a sua lataria amarela reluzente ou ouvir o ronco característico do seu motor e aquela sua buzina que funcionava só quando vc queria.

Sabe que eu ando por ai procurando por vc? Olho nas ruas, garagens, estacionamentos e toda a vez que viajo, te procuro com mais afinco ainda. Tenho a esperança boba de que quem te roubou não quis te desmontar e vendeu para alguém que está andando com vc, talvez em outra cidade.

Será, Meu Deus? Será que vc está perto da praia, passando naquelas lombadas cabeçudas ou enfrentando aquelas estradinhas de terra em que vc se saía tão bem? Vc gostava tanto de viajar, nunca dava defeito nas nossas longas travessias. Já na cidade, ficava estressado, dava uns "pitys" e vez ou outra tive que te empurrar. Na hora era chato demais, mas depois morria de dar risada.

Fico esperando que chegue uma multa sua, uma evidência de que vc estaria rodando por ai. Uma prova de que quem está com vc é tão descrente de justiça que nem se deu a trabalho de trocar a identificação.

Nem sei o que faria se te encontrasse na rua. E eu tenho certeza de que te reconheceria, mesmo se a placa fosse outra. Conheço cada amassadinho, cada pequeno defeito que vc tem, o cheiro do estofado e até aquele radinho cenográfico que nunca funcionou.

Meu marido fala para comprarmos outro, mas eu não quero, eu quero vc de volta, era vc que eu amava, não qualquer fusca. Vc que carrega todas as minhas lembranças da infância, de uma vida.

Lembra do sucesso que fazia na rua? As crianças ficavam loucas ao te ver. Apontava, gritavam: "amarelo, fusca!"

E as pessoas sorriam, paravam ao seu lado, puxavam papo comigo ou com meu marido, que estava sempre ao volante. Nunca vi outro modelo de carro causar esse efeito, despertar essa simpatia toda.

O povo perguntava: "Quer vender? Quanto quer por ele?"
E a resposta era sempre a mesma, sisuda: "Ele não tem preço, ele não está a venda."

Muito a contra gosto, quando tinha que entregá-lo ao manobrista, ele abria um sorriso e dizia que adorava dirigir um fusca. Dava para ver que os outros funcionários também queriam testá-lo.

Vc já teve tantos apelidos: Amarelão, Volkzinho, Fuca, Fuquetes e já passou tanta coisa na nossa família, achei que ficaríamos velhos decrépitos juntos.




Eu aprendi a dirigir com vc. Bem, aprendi para tirar a carta pq nunca mais dirigi. Só te pegava para treinar em ruazinhas tranquilas, mas mesmo assim, nunca dirigi outro carro que não fosse vc.

Pena que eu não desisti daquela corrida de rua e te deixei em casa. Pena que eu não escutei os meus instintos e todos os avisos, pena que vc não está mais aqui comigo.

Depois daquele dia amargo, me espantei com tantos olhares sinceramente emocionados quando dizia que vc tinha sido roubado. Conhecidos, amigos e até o seu mecânico ficou triste de dar dó.

Mas a esperança é a última que morre, vou continuar te procurando, sempre!

28 de dez. de 2012

Não resisto a uma retrospectiva


Faltando menos do que 4 dias para a chegada do Ano Novo resolvi romper meu silêncio neste blog para escrever minha retrospectiva. 

Assim de prima, diria que 2012 foi dose. Principalmente pq acho que anos pares são ruins. (Consulte a minha teoria nesse post )


Um ano difícil. Perdi pessoas queridas, roubaram meu amado fusquinha e saí do meu emprego sem ter nada em engatilhado. Também descobri que errei na avaliação de caráter de alguns, me decepcionando com eles.

Mas como tudo nessa vida é relativo e depende do referencial adotado, resolvi dar mais uma chance a este ano e pensar "fora da caixa", ser menos drámatica (que é o meu normal).

2012 foi um ano introspectivo para mim, tive bastante tempo para ficar sozinha com meus pensamentos e de vez em quando encará-los. E isso é ruim? Não, absolutamente não. Pode ser aterrorizante no início e é difícil admitir certas coisas, mas importante para tentar mudá-las.

Percebi que pequenas coisas me fizeram muito feliz, shows bacanas, estar com pessoas que amo, ir à praia, conhecer lugares novos, tentar novas receitas, ir mais ao cinema, ler mais livros, escutar mais músicas, aprender coisas novas, conseguir comer menos carne e praticar mais Yoga. 

Ah sim e eu casei! Do nosso jeito, mas casamos! Sem igreja, sem festa, apenas o reforço de nossas intenções. A promessa, feita sem intermediários, de que estamos verdadeiramente engajados em fazer o outro feliz. E temos certeza que, apesar de não termos seguido as vias tradicionais, somos abençoados por Deus desde o primeiro dia em que nos encontramos.

Novas pessoas entraram na minha vida e outras vou deixar ir embora. Chega de ficar prolongando e arrastando essas coisas inevitáveis. 

Graves problemas de saúde rodaram a minha família, mas agora está tudo bem, com recuperações positivas.

E eu acho que recuperei a minha coragem, sacudindo mesmo o que estava estagnado na minha vida. Algo que deveria ter feito logo no início de 2012.

Também quebrei um antigo paradigma, o das grandes expectativas para o fim do ano. Não esperei e nem espero coisas mirabolantes, apenas que eu não queime a ceia ao prepará-la e que possa estar junto da minha família. E sinceramente, por pensar assim, tive um natal especialmente bom.

Então, visto sob este prisma, este ano teve seus altos e baixos, mas o saldo geral foi positivo.

Claro que espero ansiosamente 2013, vamos enfrentá-lo com suas surpresas, suas tristezas e lógico, alegrias.  

Meu desejo para o ano novo é menos drama e mais comédia. Tudo depende do nosso ponto de vista.  

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Beijos & Bytes

24 de out. de 2012

Expectativas Cinematográficas

Não posso falar por todas as meninas da minha geração - os ingênuos e embaraçosos anos 80 - mas acho que consigo incluir uma boa maioria, que nessa época era adolescente e sonhava com o seu primeiro amor.

Diferente da geração nossas mães e avós que sempre imaginaram o príncipe montado no cavalo branco, pronto para livrá-las de apuros, sendo o homem perfeito para criar os filhos e viverem felizes para sempre, nossa geração começava a ver que "sempre" era meio relativo e que esses contos de fadas eram muito, muito distantes da nossa realidade.

Nosso imaginário começou a ser povoado por outro tipo de fantasia, uma que parecia ser um pouco mais real, mas que na verdade era igualmente irrealizável.

Para mim, naquela época, meu primeiro namorado deveria ser engraçado e popular como o Ferris Bueller (Mathew Broaderick) em Curtindo a Vida Adoidado, também deveria ser meio rebelde como McCormack (Kevin Bacon) em Footloose, mas também poderia ser um pouco tímido e fofo como Marty Mcfly (Michael J. Fox) em De Volta para o Futuro.

Um adicional importante seria se ele dançasse bem como Patrick Swayze em Dirty Dancing. Aliás, eu tinha um ódio mortal da fulaninha que contracenava com ele. Achava a moça feia e sem graça.

Já outras meninas curtiam a linha bonitinho mais ordinário, tipo Johnny Depp em Férias do Barulho  ou os bonitões problemáticos de Vidas de Sem Rumo.

Nem vou mencionar os padrões de beleza, porque os exemplos eram muitos, entre eles: Patrick Dempsey de Lover Boy - Garoto de Programa, Kevin Costner (Guarda-CostasOs Intocáveis), Val Kilmer da comédia Top Secret e seu companheiro de filme Tom Cruise em Top Gun  (que eu particularmente não achava tão bonito assim), sem esquecer de Harrison Ford, nosso eterno Indiana Jones e ao mesmo tempo Hans Solo da saga Star Wars.

O tempo foi passando e minhas experiências saltaram das telonas para a vida real bem diferentes dos filmes.

Descobri que aquele estilo encantador tem seus dias de mal humor. Ou é engraçado, mas não é romântico. Aprendi na prática que é muito difícil encontrar um esteriótipo! Quem diria?

Você percebe que todos tem defeitos e afinal de contas também não somos nenhuma Kim Basinger ou Kelly LeBrock.

E ai, um dia, depois de algumas tentativas e erro, depois de reformular seu homem ideal, cortar alguns itens inatingíveis (um cara que não goste de futebol), refazer alguns cálculos (tá bom, tá bom, não precisa cozinhar para mim todos os dias) e atualizar a versão para uma mais próxima da realidade (ok, ele pode arrotar na minha frente, mas não pode usar o banheiro ao mesmo tempo que eu) você se depara, sem querer, com o mocinho da sua história romântica, o herói para a aventura da sua vida.

Descobre também que as coisas não precisam ser grandiosas como salvar os rebeldes do ataque do Império ou fazer com que toda a cidade careta aprove uma festa com músicas ditas "profanas".

Um simples gesto, algo como me ligar num dia chuvoso e perguntar se levei o guarda-chuva para o trabalho ou se eu preciso que me busque no metro, já o transformou no meu Indiana Jones me resgatando de uma armadilha na tenda do inimigo.

Acho que uma das boas coisas da maturidade é a vontade que sentimos de deixar as coisas reais mais simples e as coisas fantásticas para o cinema. Dessa forma acho que a gente se diverte mais.

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Beijos e Bytes





17 de out. de 2012

De que vc é feito?

A tentativa de definir o ser humano não é fácil e nem recente. Nem preciso dizer que pessoas como Platão, Sócrates e muitos outros dedicaram suas vidas nessa busca e alguns até foram sacrificados por isso.

A religião também tenta definir do que somos feitos e de onde viemos. Uma coisa parece ser comum à todas as tentativas de definições, que somos todos iguais, feitos da mesma matéria. E para quem acredita, somos uma parte de Deus.

Sendo assim, deveríamos tratar todos com o mesmo respeito e admiração, como irmãos.

Apesar das inúmeras teorias, desde às mais racionais como a que nos define como uma intrincada combinação de átomos, resisto fortemente à ideia de que somos iguais.

Sim, eu sei, isso é muito errado. Não deveria pensar assim, mas ainda não consegui evoluir a esse nível.

Posso dizer que sou igual à um assassino? Semelhante à alguém que maltrata crianças e animais? Não é possível! Deve haver um coeficiente que me diferencie dessa pessoa. Seria apenas a conduta moral, seria então a matéria da qual é feito nosso espírito? Seria um problema genético?

Uma falha no cordão de DNA e pronto, nasce uma pessoa sem consideração pelos outros. Ou seria uma questão de educação, do meio em que vivemos?

Eu cheguei a um ponto da minha vida que não quero conviver com pessoas assim. Me recuso a me relacionar com gente que não tem educação, que não tem consideração pelos outros. Que acha que só porque está pagando a conta do restaurante pode destratar o garçon ou porque comprou um serviço da empresa em que trabalhei pode me tratar como se fosse uma escrava.

Eu sei tb que é bem utópico da minha parte achar que vou conseguir evitar essas situações, mas enquanto não descubro um escudo, vou vivendo meu período de ausência temporária.


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Beijos e Bytes