25 de fev. de 2012

Chapada dos Veadeiros, a viagem

Como já é tradicional, meu desejo nesse carnaval era estar longe dos sambas enredo, das mulheres seminuas desfilando, da perseguição dos famosos nos camarotes e das matérias repetidas anos e anos nas coberturas jornalísticas.

Não que eu seja moralista, não que eu não goste de batuques, mas toda essa fórmula me parece enfadonha, caótica e massificada.

Entonces que novamente comecei a traçar o plano de fuga. Junto com o Cláudio, meu companheiro, meu parceiro nessa vida, chegamos a definição do destino.

Posso justificar a escolha, dizendo que foi ao acaso, simplesmente pq o preço e a disponibilidade estavam bons comparados com outros destinos. Pode ser que eu tenha lido em algum lugar sobre a Chapada dos Veadeiros e aquilo ficou perdido no emaranhado de minhas lembranças e de repente apareceu como um insight. Tb é plausível pensar que o Cláudio guardava em suas gavetinhas de pensamentos a vontade de conhecer esse lugar.

Mas prefiro acreditar na versão mística, que tanto combina com estas formações rochosas, cravadas no meio do país. Acho bem mais interessante dizer que nossas energias nos atraíram para esse lugar.

Não que eu esteja virando uma esotérica-mística-neo-hippie-cyber-y, mas narrar racionalmente o desenrolar da viagem seria bem menos nobre e tiraria toda a graça dos acontecimentos.

Desnecessário dizer que a região é linda, que as inúmeras cachoeiras são de tirar o fôlego (e são muitas mesmo, não deu para conhecer em 4 dias) e que conhecer o Cerrado me deixou sem palavras e, por muitas vezes, com lágrimas nos olhos. Já que ele é tão diferente da Mata Atlântica, mais rústico, mais sofrido, mas conserva sua própria beleza. Contrói paisagens quase infinitas, nas quais se enxerga longe, se vê o traçado tortuoso das trilhas, planaltos pincelados de pequenas árvores retorcidas pela ausência de água durante 6 meses do ano. Mas paradoxalmente cravada de cachoeiras caudalosas.

Tudo foi simplesmente perfeito e eu estava mais tranquila e confiante do que em outras viagens.

Embora eu tenha saído daqui com a ingênua esperança de ver um lobo-guará ao vivo e à cores, o encontro não aconteceu. Talvez pq ele seja um animal de hábitos noturnos e demasiadamente tímido ou talvez pq tenham me faltando aditivos químicos para que eu pudesse vê-lo junto com um elefante cor de rosa (se é que vcs e entendem - ahahah) mas acabei vendo tucanos, araras azuis e outros pássaros que não sei o nome.

Os dias foram quentes e ensolarados e as noites frescas e estreladas. E em uma das trilhas, fomos surpreendidos por sua singularidade, o terreno era todo composto por fragmentos de rochas e conforme andávamos, a trilha assumia a tonalidade da rocha mais abundante, fazendo com que o caminho passasse de rosa, para branco, depois amarelo, às vezes negro e em alguns momentos cinza. Não lembro de ter usado nenhum alucinógeno, só sei que em alguns momentos achei que estava indo ao encontro do Mágico de Óz.

Toda a noite um mirrado, mas animado bloco de carnaval saía pela rua principal, tocando um bate-macumba básico, seguido por uma curiosa kombi-alegórica que carregava bonecos ETs. Os foliões, que usavam alguns adereços, eram hippies, caciques, bruxas e crianças. Descobrimos aos poucos que não eram fantasias, eram os trajes naturais da população local. E ai sim, assistir aquele bloco tornou-se divertidíssimo.

Foi então que descobrimos a verdadeira vocação de Alto do Paraíso, uma cidade conhecida por ser ponto de encontro de ETs (hein?) e onde corria a lenda de que a região seria a única cidade intacta após o fim do mundo.

Para aumentar ainda mais o misticismo, até o dono da pousada, um engenheiro que trocou sua carreira de executivo pelo sossego, contava suas histórias, uma delas era que seu cão seria um cruzamento de cachorro vira-lata com coiote americano, domesticado por índios.

Usando toda a minha tendência a análises críticas e descontando todas as lendas, a cidade parece mesmo ser encantada, habitada por pessoas integradas com a natureza e nutrindo respeito uns pelos outros.

A gentileza era tanta e tão contagiante que certo dia pedi desculpas para a garçonete por não ter conseguido terminar a  refeição. Era como se eu dissesse para uma tia que a comida dela era boa, mas que eu estava sem fome.

Algo que parece tão incrível e raro para nós, é o cotidiano dessas pessoas. E enquanto o inconsciente coletivo espera pelo fim do mundo, em uma tragédia apocalíptica, os habitantes da Chapada nada temem, talvez pq eles acreditem e vivam como se já estivessem no Paraíso.


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Beijos e Bytes

5 de fev. de 2012

É preciso saber viver

A vida é curta, inexplicável, indecifrável. A irmã de meu pai, a tia Teté da minha infância, partiu de uma forma tão rápida como uma das muitas músicas que ela gostava tanto de cantar.

Como de costume, a ficha ainda não caiu. Seguimos os tradicionais rituais meio anestesiados, embrigados de dúvidas e dor.

Mas algumas poucas certezas restam: que a vida é curta e que ela não é, não está e nunca será controlada por nós.

Teté, que vc se encontre com a Vovó e o Vovô. E mande lembranças nossas para eles. Fique com Deus!

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Beijos e Bytes

16 de jan. de 2012

Virando a chavinha

Qual o momento certo para vc se desligar de algo e começar um novo?
Vc se planeja, coloca um deadline?
Faz todos os cruzamentos e ponderações sobre pontos positivos e negativos? Pensa no momento certo, na conjunção dos astros, ou simplesmente vai lá e muda tudo?

Parece tão fácil estipular as metas, os prazos e traçar o plano da sua vida como se fosse uma partida de War (essa é para quem tem mais de 25 anos eheheh). Ou a sua vida está mais para o tabuleiro do Jogo da Vida? Onde os dados indicam se vc vai casar, vai para faculdade ou de repente terá 3 filhos?

É tão difícil para mim, lutar contra a imprevisibilidade da vida, contra a impotência em prever todos os meus passos e os do universo. Mas é tão prepotente eu achar que tenho a menor chance de fazer isso.

Se as poucas coisas que planejei deram certo é pq houve colaboração divina, caso contrário nenhum planejamento por mais perfeito que fosse surtiria o menor efeito. E todas as outras coisas boas que aconteceram na minha vida sem o menor planejamento?

E seria tão chato se tudo seguisse um roteiro. Onde estaria a surpresa (que tanto adoro), onde entraria a espontaneidade?

Já sei! Largo tudo ao acaso, vou seguir por ai sem lenço e sem documento, com uma banda de maçã e outra de reggae.

Huum, também acho que não...

E então o bom e velho ditado que sempre martela em minha cabeça volta a soar: a virtude está no meio. A virtude está no meio....  (assim com som de eco na caverna e voz meio fantasmagórica).

E eu decido que algumas coisas eu não vou decidir, vou sentir. E pronto! Seja o que Deus quiser.

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Beijos & Bytes

2 de jan. de 2012

Sem expectativas, por favor! - Parte II

[Comece lendo a parte I, post antes deste] :)

O jantar transcorreu normalmente, a comida estava ótima, o papo bom e estouramos a champanhe como manda o figurino. Desejos, promessas, fogos e uma discreta lágrima. Processo Virada: completo.

Chovia teimosamente e eu o namorido resolvemos fazer a ronda do Reveillon, passando nas casas de amigos e familiares.

Uma passada nos pais do Cláudio, uma checada no celular para ver se não tinha convites para balada e seguimos para a casa da Mari, irmã da Cilu, minha amiga de infância.

Conversa vai, bebidinha vem, mais uma cerejinha, experimenta esse vinho, toma mais uma latinha de cerveja, dá umas risadas, lembra um pouco do passado... E 1º de janeiro foi acontecendo, de mansinho, divertido, inesperado.

Quase 5h da matina e estranhamente eu e o Cláudio ainda tínhamos gás! E lá fomos nós passear de Fusquinha pela São Paulo molhada, semi-deserta e pincelada de pessoas de branco embriagadas.

Tomamos um cafezinho com pão de queijo em uma das mais lotadas padarias de SP, que maravilhosamente estava vazia. E resolvemos assim, esperar mais um pouco para ver o sol nascer.

Coisa de filme ou não, São Pedro gostou da nossa ideia e deu uma segurada na chuva. Ainda pingava, mas bem diferente do dilúvio da meia noite.

Às 6h10, não ouvi música quando o sol surgiu e ele estava meio encoberto, mas confesso que me emocionei e de tão simples, tão despretensioso essa virada foi deliciosa.

E parando para pensar, foi a companhia de pessoas que tanto amo que tornou a chegada de 2012 tão especial.

Av. 23 de Maio Amanhece em 01/01.
Repare no canto esquerdo inferior da foto, nosso valente Fusquinha Amarelo! ;)













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Beijos e Bytes

Sem expectativas, por favor!

Sim, eu crio expectativas, principalmente com datas. Meu aniversário e 31/12 são as campeãs. Sempre fico pensando que esses dias tem que ser perfeitos, altamente festivos e inesquecíveis. Não está nos meus planos passar essas datas debaixo de chuva, ter uma D.R. ou passar o dia resolvendo problemas.

Mas então, a vida real cospe na minha cara suas coisas mundanas. Me relembra que não estou em um musical e pássaros e esquilos não vão me ajudar a ter um dia mágico.

Em dezembro do falecido 2011 eu percebi que a minha tradicional programação de Reveillon Perfeito não iria acontecer. Eu estaria milhares de km de Paris, Nova York ou Buenos Aires. Que eu não iria para a praia em um luau espetacular em uma ilha paradisíaca, que eu não tinha a mais remota chance de ir para uma festa maravilhosa na cobertura de algum prédio bacanaites em SP.

Passei pelo processo inicial do desespero: tinha que a qualquer custo chegar perto de algum dos destinos acima. Not! Isso nunca funciona. Então, caminhei para a negação: isso tudo é ridículo, o mundo vai acabar mesmo, eu odeio muito tudo isso e bla bla bla. E ai, com avançar do fim do mês cheguei a aceitação: ok, é o que temos, Sampa sem planos it is.

Na semana que antecedeu o ano novo, fiz meus pequenos rituais virginianos de limpeza da casa, armários e adjacências. Comprei a lingerie da virada e me resignei a ceiar com minha família. Na véspera da véspera enfrentei um problema doméstico de vazamento de água no banheiro - o que me deixou tremendamente enfurecida e duplamente decepcionada. O dia 31 amanheceu chuvoso, daqueles de cortar os pulsos e durante o último banho do ano eu prometi que passaria dignamente a virada, sem choro ou cara feia. Ninguém merecia a minha DPR (Depressão Pré Reveillon).

Fiz tudo mecanicamente, coloquei a roupa programada, na hora programada e partimos para os meus pais. Não que seja ruim estar com eles, mas é comum. Igual a qualquer domingo.


... continua em outro post

23 de dez. de 2011

E 2011 se despede

Eu gosto de anos impares! Estranhamente. Pq tendo a querer que tudo seja perfeito e portanto, deveria gostar de números pares. Mas nasci em um dia ímpar de um mês ímpar de um ano ímpar e acabo de me dar conta que todos os algarísmos desta data são ímpar!!! Ok, se eu der uma forçada e somar tudo, o resultado é par.

Voltando ao raciocínio, 2011 foi um ano significativo para mim, não aconteceu nada de excepcional, mas algumas fichas caíram e acho que à partir disso, coisas novas virão.

Comecei a fazer a tão sonhada Yoga, visitei a encantadora Paris, conheci a ambígua Amsterdã e resolvi sair da minha zona de conforto. Agora, no finalzinho do ano decidi mudar de área no meu trabalho.

Vou fazer tudo aquilo que os livros de administrãção de carreira dizem para não fazer! Sair do core business da empresa para tentar uma área nova, em construção.

Sim, estou fazendo o que meu coração manda, o que meus instintos sussurram. E sim, estou com medo. Mas ser racional demais está me cansando. Quero mudar um pouco isso, quero experimentar mais, quero voltar a abrir meus horizontes.

Ao me tornar um balzaquiana percebi que comecei a ficar muito introspectiva, muito racional e por vezes até radical. Perdi aquela deliciosa insensatez dos 20 anos. (A eterna dualidade entre virgem e áries aqui muito bem representada, não?)

De certa forma é bom, ter um pouco mais de estabilidade, mas aprendi que a vida sorri para quem é flexível, para quem é resiliente.

E  como sempre as pessoas que passaram por mim neste ano deixaram sua contribuição no meu aprendizado, mesmo aquelas que me fizeram sofrer, pois sem querer elas me mostraram coisas que eu não quero fazer ou me tornar.

2012 é um ano par e seguindo as minhas crenças eu não deveria me arriscar nele. Mas, f*##@-se, tô pronta, vamo lá!

Na contagem regressiva, vou pedir as 3 coisas que sempre peço: saúde para mim e meus queridos; coragem para enfrentar o que vem por ai e iluminação para decidir quando lutar e quando aceitar.

Mas pensando bem, vou acrescentar um 4º item: menos medo de errar.

Eu não sei se o mundo vai acabar mesmo em 2012 como tantos estão prevendo, mas meu desejo é que aproveitemos como se ele fosse o último!!!

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Beijos e Bytes

14 de nov. de 2011

Quando tudo vale a pena

Eu sou meio idealista, chegando a ser quase ingênua. Meu grande sonho sempre foi encontrar um trabalho apaixonante. Daqueles que a pessoa sente que nasceu para fazer aquilo e de tão realizada quase não é obrigação, vira hobbie.

É, mas eu não cheguei nesse estágio ainda. E me parece que estou cada vez mais longe disso.Tenho meus dias ruins, os péssimos, os que eu saio realizada e os pouquíssimos memoráveis.

A vida corporativa é muito fria, tudo resume-se a ser mais eficiente, a não cometer erros, a ganhar mais $, a atender o cliente e não deixá-lo ir para a concorrência. E se vc se sente feliz em resolver problemas o dia inteiro e fechar contratos, ótimo, essa vida foi feita para vc.

Eu? Estou me distanciando dessa coisa toda. Já quis ser uma profissional super respeitada que coleciona troféus e cabeças na parede. Hj, estou em um meio termo, procurando ser uma boa profissional sim, mas não às custas da minha saúde ou de outras pessoas.

Ok, não me levem a mal. As pessoas tem que trabalhar e eu não vou virar hippie e sair por ai "caminhando e cantando e seguindo a canção", mas deve existir um meio termo, não?

Foi então que no último dia 7, em meio à tantos eventos e compromissos "importantíssimos", "que não pode dar nada errado", "que o cliente nos mata se tal coisa ocorrer" apareceu um que eu pensei: "Esse tem que dar certo. Esse merece que a gente se esforce, simplesmente para que ele possa ocorrer".

Depois de tanto tempo, apareceu um evento com alma. Daquelas que transbordam, daquelas que vc vê que todos os participantes estão envolvidos de verdade.

E apesar dos problemas técnicos aparentemente insolúveis, no dia, tudo se resolveu. Assim, num passe de mágica. Não sei se era pq estávamos em um circo, ou pq a vibração das pessoas era tão boa, mas o encantamento aconteceu.

E o objetivo do evento não poderia ser mais nobre: celebrar e premiar alunos, professores e pessoas que lutam para incentivar a leitura e estimular a escrita em nosso País. E eu vi de relance que ainda é possível se apaixonar loucamente pelo que se faz.

O cliente veio nos agradecer pelo esforço, parabenizar a equipe, mas na verdade, eu que o agradeci pela oportunidade de tirar de novo os meus pés do chão.

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Beijos e Bytes