15 de mai. de 2013

Preciso encontrar uma velha amiga

A vida vai te levando, os afazeres vão preenchendo nossos dias e quando se dá conta, 10, 20 anos se passaram. Quantas coisas aconteceram! E a gente vai seguindo, muitas vezes sem nem olhar para trás, continuamos correndo, querendo, batalhando...

Eu, que adoro viver com a cabeça mergulhada em minhas lembranças, me surpreendi ao sentir falta de uma velha amiga. Como pude esquecê-la por tanto tempo?

Na verdade ela não é velha, é bem novinha, uns 20 e poucos anos, mas eu a conheço desde sempre.

Sinto saudades da sua empolgação, dos seus sonhos, do jeito como ela levava a sua vida. Nem tudo eram rosas, ela tinha um temperamento mais forte do que o meu, mais crítica, mais impaciente, mas era mais esperançosa, tinha um futuro pela frente e o mais importante, cantava e dançava sempre que podia. Fazia disso suas principais ocupações na vida e o resto, ela encaixava durante o dia.

Como era bons aqueles tempos! Chegava a dormir mais de 12 horas no fim de semana de pura exaustão, de tanto emendar uma atividade na outra.

Uma coisa era verdade, tinha pouco dinheiro no bolso, mas dava um jeito de se divertir. Ainda não sei como ela fazia isso. Talvez pq não exigia muita coisa, o sorriso lhe era mais fácil e os amigos estavam sempre por perto.

Quando foi que eu a deixei ir embora? Onde ela foi parar?

Muito provavelmente ela foi silenciada aos pouquinhos, fui deixando-a para depois. As decepções, os caminhos diferentes, a imprevisibilidade da vida foi afastando-a de mim.

Mas eu tive um insight naquele mesmo momento em que revirava minhas memórias e agora sei que preciso resgatá-la, encontrá-la e trazê-la para a minha vida. Se não, que futuro eu vou ter? Minhas esperanças, meu otimismo... como eu vou ficar sem ela? Como eu pude fazer isso com ela?

Ah, mas eu sei bem onde ela está. Basta remexer um pouco aqui no lado esquerdo do meu peito, ela está aqui dentro. Ela, na verdade sou eu, quando estava na faculdade! Eu que não sabia se seria veterinária ou viveria de arte. Que queria salvar os bichos, mas também queria morar sozinha e ter uma apartamento para chamar de meu.

Hoje eu não canto mais, nem danço e nem entrei para o GreenPeace. De todas essas coisas, consegui concretizar alguns desejos materiais, algumas viagens inesquecíveis, conheci pessoas incríveis. Dominei parte do meu temperamento, mas matei um punhado de sonhos...

Hora do regaste! Ah, minha amiga, prometo não deixar vc ir embora de novo. Mesmo que eu faça 40, 50...70, sempre vou perguntar o que te faz feliz e corrermos atrás disso!

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Beijos e Bytes

8 de abr. de 2013

Together Forever

Ontem foi dia de festa. E por falta de um motivo, na verdade eram 3! A casa estava cheia de risos, de conversas e principalmente de luz! O sol tinha caprichado e entrava por todas as janelas.

Minha querida amiga de infância, carinhosamente chamada de Cilu, era a grande homenageada. Recém-casada e mamãe a espera de gêmeos! Eis ai os 3 bons motivos de comemoração. Todos queriam falar com ela, todos queriam acariciar a sua barrigona quase no fim da gravidez. Pensando bem, acho não era só o sol que brilhava naquele dia. Vc estava radiante, acredite!

Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz com as notícias, o quanto comemorei os acontecimentos. O casamento de vcs foi só para coroar uma história que já vinha de longe, uma vida em comum que já estava sendo escrita há tempos e agora vai render frutos.

A gente já passou por tantas coisas, né? Tantas histórias desde aquele dia em que nos conhecemos no recreio do colégio enquanto estávamos entre a 5a. e 6a. série.

Tantas tarde brincando, tantas risadas, conselhos trocados, coisas que a gente não fez e deveria ter feito (ainda lembro da festinha na casa da Paty), coisas que tivemos coragem de fazer, festas, viagens, lágrimas e muitas memórias felizes.

A história da nossa amizade está passando pela minha cabeça agora. E eu sei que não sou muito boa em falar essas coisas ao vivo, mas saiba que eu estou tremendamente feliz por vcs e sempre torcendo para que te ocorra o melhor.

Quem diria que chegaríamos juntas até aqui, aquelas duas meninas que passavam o recreio cantando a música de Faroeste Caboclo.

Grande Beijo e muitas felicidades, Cilu!!! Vc é minha irmã, não de sangue, mas aquele tipo que se escolhe na vida!




28 de mar. de 2013

Somewhere between

Eu adiei escrever esse post algumas vezes. Achei que deveria escrevê-lo sob um outra perspectiva, quando já estivesse fora da situação, mas acho que vai ser um exercício divertido ler isso aqui no futuro.

Já se passaram alguns meses depois que saí do meu emprego e ainda não encontrei outro. Assumi algumas atividades como freelancer, mas quero algo mais concreto.

Recusei algumas ofertas que não me pareceram adequadas, sejam por salário ou mesmo pela atividade. Nada contra, apenas estou tentando ser fiel aos motivos que me fizeram sair do meu antigo emprego.

E apesar de não ser a primeira vez que procuro uma nova oportunidade, esta sem dúvida, tem sido a mais desafiadora.

Percebi que preciso travar uma batalha diária comigo mesma, para que meus fantasmas não me consumam. Eu me cobro muito, sempre me questiono se agi certo ou errado, se deveria fazer diferente, se... se...

Passar pelas entrevistas é desconfortável. Me sinto frágil, invadida. Tenho que responder perguntas que não entendo o que tem a ver com a minha vida profissional. Preciso superar o descaso com que sou descartada na seleção e viver com a expectativa do novo processo.

Além disso, uma pergunta me consome: o que eu quero fazer profissionalmente daqui para frente? Está na hora de ser meu próprio chefe?

E eu não tenho essa resposta, tanto quanto não a tinha quando tive que escolher qual faculdade prestar.

É uma fase esquisita da minha vida. Parece que estou em uma grande sala branca, sem portas, janelas, apenas o vazio. Apenas a promessa de que tudo de bom pode acontecer.

8 de mar. de 2013

Apesar de vc, parabéns para as mulheres!


A comemoração do dia 08/03 já despertou diversos sentimentos em mim. Já fiquei feliz por receber rosas e palavras doces,  já fiquei revoltada com as piadinhas e os cumprimentos em tons de deboche ou fiquei ofendida com o fato de precisarmos de um data para sermos respeitadas.

Pensando bem em tudo que mudou na minha vida em relação às gerações passadas eu diria que as mulheres estão de parabéns! Definitivamente!

Apesar de vc (parafraseando a canção de Chico Buarque) machista que insiste em agredir o chamado sexo frágil.
Apesar das pessoas (de ambos os sexos) que acham que as mulheres devem ganhar um salário mais baixo do que os homens, que tem temos obrigação a dupla jornada de trabalho (em casa ou fora dela), que acha que a educação dos filhos é exclusividade feminina.

Apesar de vc que faz filho e vai embora sem deixar um tostão para ajudar, vc que acha que só pq a mulher está na balada pode fazer o que te der vontade com ela... Os exemplos são muitos, infelizmente.

A capa de uma revista importante brasileira destaca que 7 entre 10 mulheres no mundo sofrerão algum tipo de violência física ao longo da vida e classifica como uma nova epidemia em nossa sociedade. Na Índia uma mulher é violentada a cada 20 minutos. As estatísticas são tristes e alarmantes.

(Obviamente que nem todos os homens são desrespeitosos, alguns estão ao nosso lado, estão acompanhando as mudanças e nos fazem crer que é possível querer igualdade.)

Então, apesar de tudo, resolvemos lutar. Resolvemos sair de casa e enfrentar esse mundo covarde. Decidimos que quem manda em nosso corpo somos nós. E não a moda ou a obsessão por um modelo considerado perfeito. Decidimos que vamos pagar nossas contas sem ajuda de ninguém e assim sermos independentes financeiramente.

Enfim, mulheres de verdade, vcs estão de parabéns!

A data é para celebrar a coragem e a luta por dignidade. Avancemos, então! É o que temos feito e continuaremos a fazer, apesar de vc.

22 de jan. de 2013

Saudades, muitas saudades


Tem dias que eu nem penso em vc, mas tem dias que não aguento. Fico com os olhos cheios d´água pensando em onde vc estaria, por onde andaria, se ainda está inteiro.

Já se passaram 6 meses e eu ainda sinto um aperto no peito quando vejo a sua vaga vazia no estacionamento, as manchas de óleo que marcaram o chão. E eu lembro que eu nunca mais vou ver a sua lataria amarela reluzente ou ouvir o ronco característico do seu motor e aquela sua buzina que funcionava só quando vc queria.

Sabe que eu ando por ai procurando por vc? Olho nas ruas, garagens, estacionamentos e toda a vez que viajo, te procuro com mais afinco ainda. Tenho a esperança boba de que quem te roubou não quis te desmontar e vendeu para alguém que está andando com vc, talvez em outra cidade.

Será, Meu Deus? Será que vc está perto da praia, passando naquelas lombadas cabeçudas ou enfrentando aquelas estradinhas de terra em que vc se saía tão bem? Vc gostava tanto de viajar, nunca dava defeito nas nossas longas travessias. Já na cidade, ficava estressado, dava uns "pitys" e vez ou outra tive que te empurrar. Na hora era chato demais, mas depois morria de dar risada.

Fico esperando que chegue uma multa sua, uma evidência de que vc estaria rodando por ai. Uma prova de que quem está com vc é tão descrente de justiça que nem se deu a trabalho de trocar a identificação.

Nem sei o que faria se te encontrasse na rua. E eu tenho certeza de que te reconheceria, mesmo se a placa fosse outra. Conheço cada amassadinho, cada pequeno defeito que vc tem, o cheiro do estofado e até aquele radinho cenográfico que nunca funcionou.

Meu marido fala para comprarmos outro, mas eu não quero, eu quero vc de volta, era vc que eu amava, não qualquer fusca. Vc que carrega todas as minhas lembranças da infância, de uma vida.

Lembra do sucesso que fazia na rua? As crianças ficavam loucas ao te ver. Apontava, gritavam: "amarelo, fusca!"

E as pessoas sorriam, paravam ao seu lado, puxavam papo comigo ou com meu marido, que estava sempre ao volante. Nunca vi outro modelo de carro causar esse efeito, despertar essa simpatia toda.

O povo perguntava: "Quer vender? Quanto quer por ele?"
E a resposta era sempre a mesma, sisuda: "Ele não tem preço, ele não está a venda."

Muito a contra gosto, quando tinha que entregá-lo ao manobrista, ele abria um sorriso e dizia que adorava dirigir um fusca. Dava para ver que os outros funcionários também queriam testá-lo.

Vc já teve tantos apelidos: Amarelão, Volkzinho, Fuca, Fuquetes e já passou tanta coisa na nossa família, achei que ficaríamos velhos decrépitos juntos.




Eu aprendi a dirigir com vc. Bem, aprendi para tirar a carta pq nunca mais dirigi. Só te pegava para treinar em ruazinhas tranquilas, mas mesmo assim, nunca dirigi outro carro que não fosse vc.

Pena que eu não desisti daquela corrida de rua e te deixei em casa. Pena que eu não escutei os meus instintos e todos os avisos, pena que vc não está mais aqui comigo.

Depois daquele dia amargo, me espantei com tantos olhares sinceramente emocionados quando dizia que vc tinha sido roubado. Conhecidos, amigos e até o seu mecânico ficou triste de dar dó.

Mas a esperança é a última que morre, vou continuar te procurando, sempre!

28 de dez. de 2012

Não resisto a uma retrospectiva


Faltando menos do que 4 dias para a chegada do Ano Novo resolvi romper meu silêncio neste blog para escrever minha retrospectiva. 

Assim de prima, diria que 2012 foi dose. Principalmente pq acho que anos pares são ruins. (Consulte a minha teoria nesse post )


Um ano difícil. Perdi pessoas queridas, roubaram meu amado fusquinha e saí do meu emprego sem ter nada em engatilhado. Também descobri que errei na avaliação de caráter de alguns, me decepcionando com eles.

Mas como tudo nessa vida é relativo e depende do referencial adotado, resolvi dar mais uma chance a este ano e pensar "fora da caixa", ser menos drámatica (que é o meu normal).

2012 foi um ano introspectivo para mim, tive bastante tempo para ficar sozinha com meus pensamentos e de vez em quando encará-los. E isso é ruim? Não, absolutamente não. Pode ser aterrorizante no início e é difícil admitir certas coisas, mas importante para tentar mudá-las.

Percebi que pequenas coisas me fizeram muito feliz, shows bacanas, estar com pessoas que amo, ir à praia, conhecer lugares novos, tentar novas receitas, ir mais ao cinema, ler mais livros, escutar mais músicas, aprender coisas novas, conseguir comer menos carne e praticar mais Yoga. 

Ah sim e eu casei! Do nosso jeito, mas casamos! Sem igreja, sem festa, apenas o reforço de nossas intenções. A promessa, feita sem intermediários, de que estamos verdadeiramente engajados em fazer o outro feliz. E temos certeza que, apesar de não termos seguido as vias tradicionais, somos abençoados por Deus desde o primeiro dia em que nos encontramos.

Novas pessoas entraram na minha vida e outras vou deixar ir embora. Chega de ficar prolongando e arrastando essas coisas inevitáveis. 

Graves problemas de saúde rodaram a minha família, mas agora está tudo bem, com recuperações positivas.

E eu acho que recuperei a minha coragem, sacudindo mesmo o que estava estagnado na minha vida. Algo que deveria ter feito logo no início de 2012.

Também quebrei um antigo paradigma, o das grandes expectativas para o fim do ano. Não esperei e nem espero coisas mirabolantes, apenas que eu não queime a ceia ao prepará-la e que possa estar junto da minha família. E sinceramente, por pensar assim, tive um natal especialmente bom.

Então, visto sob este prisma, este ano teve seus altos e baixos, mas o saldo geral foi positivo.

Claro que espero ansiosamente 2013, vamos enfrentá-lo com suas surpresas, suas tristezas e lógico, alegrias.  

Meu desejo para o ano novo é menos drama e mais comédia. Tudo depende do nosso ponto de vista.  

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Beijos & Bytes

24 de out. de 2012

Expectativas Cinematográficas

Não posso falar por todas as meninas da minha geração - os ingênuos e embaraçosos anos 80 - mas acho que consigo incluir uma boa maioria, que nessa época era adolescente e sonhava com o seu primeiro amor.

Diferente da geração nossas mães e avós que sempre imaginaram o príncipe montado no cavalo branco, pronto para livrá-las de apuros, sendo o homem perfeito para criar os filhos e viverem felizes para sempre, nossa geração começava a ver que "sempre" era meio relativo e que esses contos de fadas eram muito, muito distantes da nossa realidade.

Nosso imaginário começou a ser povoado por outro tipo de fantasia, uma que parecia ser um pouco mais real, mas que na verdade era igualmente irrealizável.

Para mim, naquela época, meu primeiro namorado deveria ser engraçado e popular como o Ferris Bueller (Mathew Broaderick) em Curtindo a Vida Adoidado, também deveria ser meio rebelde como McCormack (Kevin Bacon) em Footloose, mas também poderia ser um pouco tímido e fofo como Marty Mcfly (Michael J. Fox) em De Volta para o Futuro.

Um adicional importante seria se ele dançasse bem como Patrick Swayze em Dirty Dancing. Aliás, eu tinha um ódio mortal da fulaninha que contracenava com ele. Achava a moça feia e sem graça.

Já outras meninas curtiam a linha bonitinho mais ordinário, tipo Johnny Depp em Férias do Barulho  ou os bonitões problemáticos de Vidas de Sem Rumo.

Nem vou mencionar os padrões de beleza, porque os exemplos eram muitos, entre eles: Patrick Dempsey de Lover Boy - Garoto de Programa, Kevin Costner (Guarda-CostasOs Intocáveis), Val Kilmer da comédia Top Secret e seu companheiro de filme Tom Cruise em Top Gun  (que eu particularmente não achava tão bonito assim), sem esquecer de Harrison Ford, nosso eterno Indiana Jones e ao mesmo tempo Hans Solo da saga Star Wars.

O tempo foi passando e minhas experiências saltaram das telonas para a vida real bem diferentes dos filmes.

Descobri que aquele estilo encantador tem seus dias de mal humor. Ou é engraçado, mas não é romântico. Aprendi na prática que é muito difícil encontrar um esteriótipo! Quem diria?

Você percebe que todos tem defeitos e afinal de contas também não somos nenhuma Kim Basinger ou Kelly LeBrock.

E ai, um dia, depois de algumas tentativas e erro, depois de reformular seu homem ideal, cortar alguns itens inatingíveis (um cara que não goste de futebol), refazer alguns cálculos (tá bom, tá bom, não precisa cozinhar para mim todos os dias) e atualizar a versão para uma mais próxima da realidade (ok, ele pode arrotar na minha frente, mas não pode usar o banheiro ao mesmo tempo que eu) você se depara, sem querer, com o mocinho da sua história romântica, o herói para a aventura da sua vida.

Descobre também que as coisas não precisam ser grandiosas como salvar os rebeldes do ataque do Império ou fazer com que toda a cidade careta aprove uma festa com músicas ditas "profanas".

Um simples gesto, algo como me ligar num dia chuvoso e perguntar se levei o guarda-chuva para o trabalho ou se eu preciso que me busque no metro, já o transformou no meu Indiana Jones me resgatando de uma armadilha na tenda do inimigo.

Acho que uma das boas coisas da maturidade é a vontade que sentimos de deixar as coisas reais mais simples e as coisas fantásticas para o cinema. Dessa forma acho que a gente se diverte mais.

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Beijos e Bytes